Mostrando postagens com marcador Capitu Brasileiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Capitu Brasileiro. Mostrar todas as postagens

1.9.09

Belo Horizonte, 31 de agosto de 2009.


Conversei hoje com a Fulana e ela me disse que topa entrar no negócio comigo. As outras meninas também já deram a palavra de que vão trabalhar comigo.
Ai, nem acredito que vou largar isso daqui e vou poder ganhar mais dinheiro fazendo o que gosto: penteados! Todo mundo lá da Brilhante sempre elogia meus penteados! Faço em todo mundo, sempre que tem festa ou algum encontro de uma das meninas. Além disso, as meninas vão revezar comigo no nosso salão. Já temos a Ciclana e Beltrana de manicures, eu e Fulana de cabeleireiras e a menina da Fulana será a assistente.
Só falta agora mesmo é fechar negócio com o dono da casa. Já falei da casa? Ai, a casa é linda, é toda antigona e estilosa na frente e é azul e branca (as cores do meu Cruzeirão!). Conversei com o dono ontem e ele pediu R$ 600,00 de aluguel. Achei até barato, considerando que lá é bem em frente Av. Amazonas. Fica na Caetés, 200. É gigante o imóvel e tem espaço até pra morar! Já pensou, eu livre dos 2 ônibus vermelhões pra ir e voltar todos os dias?
Hoje vamos lá no escritório do Seu Antônio (dono da casa) pra tentar fechar negócio e, quem sabe, conseguir uma redução do aluguel. Vou levar a Fulana comigo porque ela é mais velha, pra inspirar confiança, sabe?
Depois é só comprar os móveis, a gente pode ir comprando aos pouquinhos mesmo, humildemente, até montarmos por completo o nosso salão, o “Salão Azul”. Vai ser o mais lindo da região!
Meu sonho está se realizando!!! Queria que minha mãe estivesse aqui. Sinto saudades dela a todo momento.

Belo Horizonte, 30 de agosto de 2009.

Meu nome é Capitu Brasileiro, tenho 24 anos e sou de Ponte Nova - MG. Sai de casa aos 17 por causa do meu pai, alguém que eu prefiro pensar que morreu. Vim parar em belo Horizonte seduzida pelas possibilidades de trabalhar numa capital. Infelizmente a realidade de quem vive aqui é outra e a única forma que encontrei para sobreviver aqui foi me “vender”.
Sempre sonhei em ter uma vida mais digna. Antes de largar os estudos, sonhava em abrir meu próprio negócio. Só não concluí o segundo grau por que minha mãe não podia pagar uma escola particular e a escola pública da minha cidade que tinha classes de 2ª grau ficava muitos quilômetros longe de casa. Como minha mãe não podia pagar uma escola particular, fiquei em casa, brigando com meu pai todos os dias até sair pra sempre de casa, deixando para trás o meu “espaço”, meu lar.
Hoje vivo pulando de um imóvel pro outro. O aluguel tem subido demais e meu ganho mensal continua o mesmo!
Venho de longe até o centro, onde trabalho, e o que ganho mal dá pra pagar as contas.
Tenho conversado muito com umas colegas lá da Brilhante e estamos planejando abrir um salão!!!
Só falta achar um aluguel em conta, aqui no centro mesmo, pra começarmos nosso negócio. Já juntei com mais 5 meninas e estou certa de que juntas poderemos pagar o aluguel e ainda ganhar “algum” pra guardar. No futuro vou ter um monte de salões de beleza pela cidade e só vou atender madame! Podem anotar!

31.8.09

Rua Guaicurus

No início do século passado, a Rua Guaicurus já era o centro da zona boêmia de Belo Horizonte. Naquela época, ela abrigava locais conhecidos como o Cabaré da Olímpia, o Montanhês Dancing e Chantecler: era destino certo de jovens intelectuais no fim de noite. Nesses endereços, os homens iam beber e papear livremente (além de outras coisas) longe dos olhos das mulheres e da rígida família mineira.

Segue abaixo um texto de Ranier Bragon, jornalista da Folha de São Paulo, sobre a Rua Guaicurus:

“Assim como um bairro, uma cidade, um país qualquer, o mundo da Guaicurus possui camadas sociais bem definidas. A informação de que as mulheres que se prostituem nos 16 "hotéis" daquele pequeno pedaço urbano cobram no máximo R$ 20 por programa pode levar à falsa impressão de que são 600 mulheres mais ou menos similares, no físico, na idade, na fortuna e na desgraça. Mas as castas da Guaicurus são facilmente identificáveis. Em 3 dos 16 "hotéis", cujas mulheres cobram R$ 20 dos clientes, praticamente todas são jovens aparentemente na casa dos 20 anos. O discurso de alguns donos desses estabelecimentos, até para escaparem da acusação de rufianismo, é o de que qualquer um pode, se quiser e se pagar, se hospedar nos quartos _inclusive você_, mas é difícil não imaginar uma espécie de seleção com base em estereótipos já que o preço da diária nos 16 estabelecimentos não varia de forma significativa, cerca de R$ 60.Os "hotéis de elite" da Guaicurus possuem um aparato mais visível, com sistema de câmeras pelos corredores, seguranças identificáveis, placas informativas, faxineiras, além de seus quartos e suas instalações serem relativamente novos. Nos outros 13 hotéis a diversidade, humana e material, é bem maior, e o preço médio, menor _R$ 10. Desses 13, dois ou três estão no mais baixo degrau do "sistema". São identificados pelas próprias prostitutas como destinados àquelas em "fim de carreira", o que não significa que o entra-e-sai de homens seja menor.Nesses prédios, todos muito antigos, não há sinal de reforma ao longo dos anos, todos estão em acelerado processo de decomposição e seus escuros cubículos lembram mais celas de presídio do que quartos de hotel. há mulheres que aparentam ter 40, 50, 60 anos ou mais. Na verdade, lá elas constituem a maioria. A raia miúda da Guaicurus, no dizer delas mesmas, atende clientes por R$ 7, R$ 5. Esse é o baixo meretrício de Belo Horizonte, na rua Guaicurus, centro da cidade. Mais que cinquentenário, tolerado pela polícia e pela lendária sociedade conservadora mineira sem nenhum sobressalto relevante; e dela "escondido" sob a fachada de prédios antigos e opacos, salvo quando surge no noticiário um ou outro episódio de violência. O que, de resto, é hoje comum a qualquer centro urbano.”

Rua dos Caetés


Quando Belo Horizonte foi construída, algumas ruas e avenidas da região central adquiriram características próprias e marcantes. A Rua dos Caetés e a Avenida do Comércio (atual Avenida Santos Dumont) abrigaram o centro comercial da nova capital. Inicialmente, instalaram-se na Caetés os comerciantes de origem árabe, síria e libanesa, que vendiam produtos de armarinho, tecidos e enxovais. Com o passar dos anos, chegaram as lojas de artigos esportivos, perfumaria e restaurantes. Sua localização estratégica, que a torna eixo de ligação entre as Praças da Rodoviária, Sete e da Estação, vocacionou o comércio a atender às pessoas que vinham das cidades do interior. Por sua vocação e sua localização, grande número de pedestres por ali circulam.
Outro aspecto importante da Caetés é sua condição de museu arquitetônico ao ar livre. Ao longo da via, são encontradas amostras de vários estilos da arquitetura, como ecletismo, modernismo e art-déco. Estes estilos marcam épocas diferentes da construção e da consolidação de Belo Horizonte como centro urbano.

29.8.09

A Personagem


O grupo idealizou uma curta estória sobre a vida de uma jovem vinda do interior que, ao se deparar com a dura realidade das grandes cidades, viu-se sem alternativas para sobreviver a não ser prostituir-se.
Nossa personagem, apesar de pouco estudo, é uma pessoa com visão empreendedora e boa articulação.
A intenção do grupo é mostrar que as pessoas que vivem à margem do nosso "universo acadêmico” são tão sensíveis às relações de cidadania quanto qualquer um de nós.

28.8.09

Percurso


Ao longo do Quadrilátero delimitado para a pesquisa, o grupo percorreu principalmente as ruas e avenidas de maior fluxo diário de pessoas e, consequentemente, de maior concentração comercial.
Considerando que estamos tratando do hiper-centro de Belo Horizonte, é espantoso o número de imóveis desocupados e abandonados. Muitos deles são casas e prédios bastante antigos, mostrando o total descaso com o patrimônio histórico/arquitetônico da cidade. Casas da década de 30 totalmente modificadas em seu interior, de modo a atender somente aos interesses de seus usuários atuais, sejam eles proprietários ou não. Além disso, nosso grupo pôde observar grande quantidade de fachadas totalmente descaracterizadas por placas, faixas e anúncios comerciais. Em alguns casos dava pra notar que pequenas reformas foram feitas, "roubando" também das fachadas suas características originais.

A área de pesquisa é basicamente composta por imóveis voltados para o comercio, restando poucos imóveis para se residir. Uma das provas disso é a quantidade de estacionamentos distribuídos pelo quadrilátero, especialmente nas proximidades dos grandes prédios comerciais (de salas e/ou galerias) e públicos.
Ainda, pudemos notar uma certa "lógica de zoneamento" na distribuição do comércio. Por exemplo, na Rua dos Caetés, perto da esquina com Amazonas, há grande concentração de lojas de artigos esportivos. Na rua dos Guaicurus a predominância é de bares e prostíbulos.
O fato é que, a cada observação crítica o centro da cidade nos revela uma nova "faceta".